domingo, 30 de junho de 2013

Cecília Meireles

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.

sábado, 29 de junho de 2013

Jobrane

Muitas vezes encontramos pelo caminho aqueles que não nos aceitam como somos e por isso nos condenam, sem nos dar o direito de defesa. Mas isso não deve ser empecilho ou desmotivação para que não possamos seguir em frente. Estamos no período da gestação das virtudes e, logo mais, as nossas ações não mais serão distorcidas no espelho da realidade. Cada um tem a sua própria maneira de ser e de agir, vivendo daquilo que acredita ser o melhor para si.

O importante não é que os outros gostem da gente e sim que gostemos de nós mesmos, pois dependemos somente dos nossos esforços para lograrmos os êxitos evolutivos. A felicidade, para germinar, deve estar plantada dentro do coração. O mundo é uma verdadeira batalha de egos. São muitos querendo as mesmas coisas, mas sem que todos tenham o suficiente. Os desafetos nós não temos como evitar e os piores são aqueles que procuram disfarçar, mas não conseguem.


Não agradamos a todos, a começar pelos nossos familiares. A humanidade se compara a um baile de máscaras, onde cada qual tenta esconder os seus instintos primários, enquanto a melodia da vida não se encerra. A competição faz tombar um aqui e outro acolá, uns para não mais se reerguerem. Outros conseguem seguir em frente, mas aqueles que estão no topo também não têm a estabilidade garantida. Ora uns estão embaixo, ora outros estão acima, sendo que aqueles que estão embaixo farão de tudo para que os que estão acima caiam, de modo a assumirem os lugares por eles deixados. As cadeiras são as mesmas, em tempo, só é preciso mudar o estofado.


E nesta competição encontramos também aqueles que não gostam - mas juram gostar - do modo como agimos. Destarte, o importante é que nos amemos como somos e não esperemos agradar a todos, o que jamais acontecerá.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Pablo Neruda

Para mi corazón basta tu pecho,
para tu libertad bastan mis alas.
Desde mi boca llegará hasta el cielo
lo que estaba dormido sobre tu alma.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

José Saramago

Arranca metade do meu corpo, do meu coração, dos meus sonhos. Tira um pedaço de mim, qualquer coisa que me desfaça. Me recria, porque eu não suporto mais pertencer a tudo, mas não caber em lugar algum.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Ana Jácomo

Que cada um de nós consiga escrever uma história linda nessas próximas páginas, não faz mal se nos atrapalhamos nas páginas já viradas, se nos faltou inspiração e criatividade em tantos parágrafos, se escrevemos tantas coisas que, relendo, agora, parecem não ter sentido. O bacana da vida é essa oportunidade preciosa, reinaugurada a cada instante, de recomeçar exatamente do lugar onde estamos. Que saibamos nos renovar para escrever um texto, de fato, novo.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Marla de Queiroz

Tão familiar é a fisionomia da saudade. E a lembrança da labareda alta do desejo, indo além: ao desalcance dos olhos. O toque constante, desavisado, parecendo uma distração. O olhar intenso, querendo ver o campo sutil das palavras. E toda nossa existência ampliada pelo sol do amor. Tão familiar a fisionomia da saudade, que ainda posso ver os pêlos saindo dos poros, tão junto meu rosto do teu. Das arranhaduras da carícia bem feita que uma barba mal feita faz. E um jeito de trazer minha cabeça pro lugar mais escurinho entre o travesseiro e o teu pescoço. Teu cheiro todo lá, naquele abrigo antes do sono. E no derradeiro das frases, o corpo insinuando mais que uma leitura, mais que uma dança, mais que comunhão. Das palavras que ainda inventaremos por achar tão divertido namoramar em dialeto inexistente. Tão familiar a fisionomia da saudade que meus dedos vão redigindo tua voz em meu ouvido (...) e nossos delírios poéticos nos bares de cada rua desta cidade em que somos os amantes mais excêntricos - uma combinação perfeita de desejo, lirismo e essa nossa ternura escandalosa.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Nietzsche

Eu sou vários! Há multidões em mim. Na mesa de minha alma sentam-se muitos, e eu sou todos eles. Há um velho, uma criança, um sábio, um tolo. Você nunca saberá com quem está sentado ou quanto tempo permanecerá com cada um de mim. Mas prometo que, se nos sentarmos à mesa, nesse ritual sagrado eu lhe entregarei ao menos um dos tantos que sou, e correrei os riscos de estarmos juntos no mesmo plano. Desde logo, evite ilusões: também tenho um lado mau, ruim, que tento manter preso e que quando se solta me envergonha. Não sou santo, nem exemplo, infelizmente. Entre tantos, um dia me descubro, um dia serei eu mesmo, definitivamente. Como já foi dito: ouse conquistar a ti mesmo.