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sexta-feira, 7 de março de 2014

Fabricio Carpinejar

Nunca conseguimos explicar o motivo de estar amando.
Sempre explicamos fácil o motivo da separação.
Amar deve ser uma sábia ignorância.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Fabrício Carpinejar

Liberdade na vida é ter um amor pra se prender. A gente reclama muito da dependência, mas como é maravilhosa a dependência, confiar no outro, confiar no outro a ponto de não somente repartir a memória, mas repartir as fantasias. Confiar no outro a ponto de esquecer quem se foi assim que o outro esteja junto, é talvez chegar em casa e contar seu dia e só sentir que teve um dia quando a gente conta como foi. É como se o ouvido da outra pessoa fosse nossos olhos.

Amar é uma confissão. Amar é justamente quando um sussurro funciona melhor que um grito. Amar é não ter vergonha de nossas dúvidas, é falar uma bobagem e ainda se sentir importante. É lavar louça e nunca estar sozinho. É arrumar a cama e nunca estar sozinho. É aquela vontade danada de andar de mãos dadas durante o dia e de pés dados durante a noite.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Fabrício Carpinejar

Eu decorei suas fraquezas, acalmei seus pesadelos. Conheço histórias de sua infância, dores e repulsas. Sou sua caixa-preta, sua cópia de segurança, seu diário, seu esconderijo na parede. (...) Você não escondeu nenhuma resposta de minhas perguntas. Nenhuma gaveta para a minha curiosidade. Nunca se revelou tanto para outra pessoa. Expôs quem odiava no Ensino Médio, quem amava, quais as gafes e as covardias que experimentou na escola. Confidenciou aquilo que seu pai gritou e que magoou fundo, aquilo que sua mãe omitiu e feriu fundo. Não tem anticorpos contra mim. Baixou as armas, depôs a mínima resistência. Se você me escolheu para confiar, devo ter o dobro de tato para falar contigo, o triplo de responsabilidade. Qualquer um conta com o direito de falhar, qualquer um desfruta da possibilidade de errar, menos eu. Sou o que realmente estudou seus pontos fracos e o lugar de suas veias. Sou o mais perigoso, portanto tenho a obrigação de defendê-la de mim. Tudo o que ouvi a seu respeito não posso empregar para agredi-la. Cada desabafo que me confiou não serve para nada, a não ser para amá-la. Não tem finalidade doméstica, nem serventia para fofoca, é uma amnésia alegre: escuto, sorrio e consolo. Não ouso soprar verdades sem sua permissão. São arquivos protegidos. Quem ama mergulha em hipnose regressiva, firmamos um código de quietude e cumplicidade, de zelo e compromisso. Intimidade é um conteúdo perigoso, tóxico, explosivo. Há os casais que esquecem que estão levando a valiosa carga e transformam a catarse em tortura psicológica, em chantagem emocional, em sequestro moral.
Suas confidências morrem comigo ou eu vou morrer nelas. Não podem retornar numa briga. Que eu morda a língua, queime a boca, mas não use jamais seus segredos. Aquilo que você me disse não é para ser devolvido. Todo segredo é um sino sem pêndulo.
Não importa o que faça ou as razões da raiva, é covardia distorcer suas lembranças.
Não posso rifar seus problemas, nem propor leilão dos seus medos.
Eu prometo cercar seu silêncio com meu silêncio.
Não nasci para julgá-la, mas para me julgar e, assim, merecê-la.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Fabrício Carpinejar

PARA UMA MULHER INDEPENDENTE

Deixe que eu seja gentil. Deixe que puxe a cadeira, espere um pouco, minhas mãos estão chegando ao espaldar, deixe que abra a porta, me dê tempo, minhas mãos estão pousando na maçaneta. Deixe que eu seja gentil, que eu me antecipe a seus incômodos, que procure facilitar suas palavras, que ajude a expressar sua vontade, que concorde com seu silêncio. Deixe que eu seja gentil, meu amor. Minha gentileza não é ditadura. Minha gentileza não é imposição.

Não desejo mandar em você, e sim mostro que não há meu medo de ser dominado.

Deixe que eu dê colo, faça cafuné, massagem nos pés, me mantenha acordado até que durma.

Deixe que eu seja gentil, que tenha a capacidade de adivinhar quando se emocionou ou não, que responda ataques e indelicadezas. Sei que pode se defender sozinha. Não estou lhe chamando de frágil.

Deixe que eu seja gentil, que aceite meu casaco nos ombros no fim da noite, que aceite meu elogio no início do dia.

Deixe que seja gentil, que eu cozinhe seu prato predileto, que arrume a cama, lave a louça e que você não tema a mesura, não pense em conspiração.

Gentileza não é favor. Gentileza não guarda recibo.

Não peço nada em troca, não protesto recompensa.A gentileza é de graça. A gentileza não tem caminho de volta.

Deixe que eu seja gentil, que pague a conta do restaurante, adquira um vestido. Não estou lhe corrompendo, não estou lhe comprando.

Gentileza não é suborno, gentileza não é chantagem.

Não me culpe por ser gentil. Não me entenda errado. Não pretendo controlá-la, logo eu que mal me domino.

Deixe que seja gentil, mimar não é estragar, a grosseria é que destrói.

Deixe que eu seja gentil. Que eu possa tirar seus sapatos, e guardá-los nas gavetas.

Não é machismo, amor, não é machismo cuidar de você. Sei que se vira sozinha desde adolescência, que não precisa de ninguém, nem de meus olhos assustados por um sim.

Mas deixe que eu seja gentil. Que eu possa acompanhá-la até o toalete durante a festa, que possa aguardá-la na saída. Gentileza é se preocupar antes de qualquer problema.

Deixe que eu seja gentil, deixe que seja sua sombra mais frondosa.

Respeitar é jamais esquecer que você está ao meu lado. Sou gentil por saudade antecipada.

Deixe que pego mais coberta, que fecho a janela, que atendo ao interfone e telefone.

Deixe ser sua audição mais apurada: a luz se acende inclusive para os ouvidos.

Não elimine o que recebi de meus pais. A paciência das pequenas urgências.

Deixe que eu seja gentil, não ofereço porque pedia, não irei cobrar.

Gentileza é escolha. Gentileza é destino.

Deixe que eu seja gentil, vou perguntar muitas vezes ao dia como está, não canse de me responder.

Deixe que eu seja gentil, que eu segure seu guarda-chuva, que eu busque um copo de água de madrugada, que eu dobre suas roupas e lembre qual o momento de acordar. Não apague minha educação. Não estou dizendo que você é inútil, só quero ser gentil.

Não estou dizendo que depende de mim, amor, que não valorizo sua liberdade,

Deixe eu ser também você.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Fabrício Carpinejar

Quem pensa demais não faz, não se arrisca, não se entrega. O pré-requisito é criado para impedir que mudanças aconteçam. É necessário ser imaturo para amar. É necessário ser imaturo para engravidar. É necessário ser imaturo para juntar as tralhas e pertences, construir uma casa em comum, e seguir ameaçado pelo humor do próximo. Merece o amor quem trabalha por ele, quem sofre por ele, quem não quis ser mais inteligente do que sensível.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Fabrício Carpinejar

Se você recusou sua rotina, deixou de fazer aquilo que mais gostava em nome de alguém, torrou seus bens, abandonou os amigos e os prazeres mais fundamentais, isso não é amor, é paixão. A paixão é uma fatalidade , o amor é uma escolha. A paixão é egoísta, o amor é generoso. A paixão é renúncia, o amor adapta. A paixão é confinamento, o amor é abrigo.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Fabrício Carpinejar


Ame por empréstimo.
Ame devendo.
Ame falindo.
Mas não crie arrependimentos por aquilo que não foi feito. 
Sejamos mais reais em nossas dores.
Tudo o que não aconteceu é perfeito.
Dê chance para a imperfeição. Insista.
Estou cansado de me defender - sou só ataque.
Insisto.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Fabrício Carpinejar


Quanto mais a gente se entrega, maior é o pânico de estar sozinho na doação,  de ser uma miragem afetiva.