quarta-feira, 31 de julho de 2013

Desconheço a Autoria

O velho Mestre pediu a um jovem muito triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo de água e bebesse.

- Qual é o gosto? - perguntou o Mestre.
- Ruim - disse o aprendiz.

O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago. Então o velho disse:

- Beba um pouco dessa água.

Enquanto a água corria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:

- Qual é o gosto?
- Bom! Disse o rapaz.
- Você sente o gosto do sal? Perguntou o Mestre.
- Não, disse o jovem.

O Mestre então lhe disse:
A dor na vida de uma pessoa não muda, mas o sabor da dor irá depender de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu. Em outras palavras: É deixar de ser copo para tornar-se um Lago.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Paulo Coelho

É preciso permitir que alguém nos ajude, nos apoie, nos dê forças para para continuar. Se aceitamos este amor com pureza e humildade,vamos entender que o Amor não é dar ou receber - é participar.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Brahma Kumaris

Quando somos honestos sobre nossas limitações e fraquezas, isso faz com que os outros e mesmo Deus nos ajudem no que nos falta. É por isso que a rosa está sempre sorrindo, ela não tenta esconder os espinhos.
Os espinhos são tão honestamente visíveis que ainda assim as pessoas querem colher a rosa pela sua fragrância. Deus fica satisfeito com um coração honesto.
Por isso Ele sempre mostra como remover os espinhos e alcançar o destino da verdade.

domingo, 28 de julho de 2013

Pe. Fabio de Melo

Simplicidade é um conceito que nos remete ao estado mais puro da realidade. A semente é simples porque não se perde na tentativa de ser outra coisa. É o que é. Não desperdiça seu tempo querendo ser flor antes da hora. Cumpre o ritual de existir, compreendendo-se em cada etapa.

sábado, 27 de julho de 2013

Carlos Drummond de Andrade

Bati no portão do tempo perdido, ninguém atendeu.
Bati a segunda vez e mais outra e mais outra.
Resposta nenhuma.
A casa do tempo perdido está coberta de hera
pela metade; a outra metade são cinzas.
Casa onde não mora ninguém, e eu batendo e chamando
pela dor de chamar e não ser escutado.
Simplesmente bater. O eco devolve
minha ânsia de entreabrir esses paços gelados.
A noite e o dia se confundem no esperar,
no bater e bater.

O tempo perdido certamente não existe.
É o casarão vazio e condenado.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Álvaro de Campos

Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Mia Couto

Nosso amor é impuro
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce
e vive além do tempo.


Minhas pernas são água,
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.


E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.


E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.


E respiro em ti
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.


Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.


Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.


Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser a minha própria espera.


Mas eu deito-me em teu leito
Quando apenas queria dormir em ti.


E sonho-te
Quando ansiava ser um sonho teu.


E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,
lembrança de pétala sem chão onde tombar. 


Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.


Esse mar que só há depois do mar.